sexta-feira, 14 de agosto de 2015

JÁ OUVIU FALAR EM ARQUITETURA CONTRA O CRIME?

    Poucos sabem, mas existe uma relação direta entre detalhes arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos das cidades e os níveis de criminalidade. O estudo que analisa essa questão é conhecido como “Prevenção do Crime Através da Arquitetura Ambiental”.
   O Tenente Coronel Marcos Antonio Amaro, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, foi quem iniciou essa discussão aqui no Brasil. Segundo ele:
                                              “O espaço urbano das cidades brasileiras, seja público ou privado, apresenta, em regra, algumas características que por vezes facilitam ou induzem à prática de delitos. Mas há poucos estudos nacionais a respeito de como esta influência ocorre. Estabelecer os níveis de tal influência na criminalidade é de fundamental importância para os órgãos de segurança”.
    De acordo com Amaro, a arquitetura do crime define-se como:
"Um conjunto de ações e medidas com o objetivo de diminuir a probabilidade de ocorrência de delitos e aumentar a sensação de segurança através de intervenções no desenho urbano."
Estratégias básicas da arquitetura contra o crime
         Controle de acesso, vigilância natural e reforço territorial são as três estratégias básicas da arquitetura contra o crime.
– Controle de acesso visa reduzir a oportunidade de ocorrências, criando a sensação de risco para o elemento que pretende cometer um delito, seja pela presença de guardas, porteiros ou vigilantes, pela existência de trancas, correntes e fechaduras ou pela própria definição do espaço.
– Vigilância natural limita a ação do delinquente ao causar nele a sensação de que está sob vigilância. Quanto maior a visibilidade do local, maior a segurança. Locais com visibilidade obstruída por acúmulo de mercadoria ou de propaganda, falta de iluminação, entre outros, facilitam a ação do delinquente.
– Reforço territorial significa considerar o espaço ao entorno do domicílio ou estabelecimento comercial como seu território, colaborando na sua manutenção, cobrando as medidas cabíveis dos órgãos responsáveis (substituição de lâmpadas queimadas, pavimentação, recolhimento de lixo, etc.). Delinquentes preferem lugares com aspecto de abandono para atuar.
Arquitetura contra o crime e estabelecimentos comerciais
    Confira estratégias para a melhoria da segurança, sob a perspectiva da arquitetura contra o crime, para estabelecimentos comerciais:

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É importante haver janelas laterais se a edificação for de esquina. Os vidros eliminam os pontos cegos naturais nas duas laterais do prédio, aumentando a segurança.

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Janelas são grandes aliadas da segurança, pois melhoram a visibilidade, aumentam a vigilância natural e também ajudam a mostrar os produtos do estabelecimento, no entanto, elas não devem ser encobertas  por acúmulo de mercadorias ou propagandas.

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É interessante que o caixa seja situado no fundo da loja (se for possível avistá-lo da por ta
de entrada), ou numa das laterais, na par te média, sempre de costas para a parede. Além disso, se o caixa tiver de ser na entrada, é interessante que fique numa das laterais, de costas para a parede, e não tão próximo à porta (a ponto de ser abordado por alguém sem que este precise entrar na loja), ou que seja protegido por uma porta de vidro.

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     Devem ser evitados caixas nos quais o funcionário fique cercado até acima da cabeça com mercadorias (suportes para cigarros, isqueiros, doces, chicletes) ou cartazes de propaganda, com uma área limitada de visão.

Fonte: http://perimetralseguranca.com.br/blog/o-que-e-arquitetura-contra-o-crime/