terça-feira, 18 de agosto de 2015

Corredor da morte para motociclistas

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       Há poucos dias, a imprensa publicou matéria sobre estudo realizado na Universidade de Berkley, na Califórnia, relativo aos acidentes com motocicletas no chamado corredor, o espaço que fica entre os veículos no trânsito. Segundo a pesquisa americana, se o motociclista mantiver uma velocidade baixa em relação aos outros veículos, rodar no corredor é relativamente seguro, mas recomenda velocidade máxima de 16km/h no corredor, portanto, fora da realidade brasileira e viável só com o trânsito parado.
      A questão é o que está por trás desse tipo de matéria? Na prática, é um trabalho da assessoria de imprensa dos grupos que controlam a venda de motocicletas no Brasil, que estão cientes de que o número de acidentes com motocicletas está tomando proporções tão absurdas, e que é natural que exista o risco do tráfego no corredor ser proibido, como previa originalmente o Código de Trânsito.
      Na matéria esqueceram de falar sobre, por exemplo, os pontos cegos, área em que o veículo desaparece da visão do motorista no retrovisor. No caso das motocicletas a passagem pelo corredor é uma sucessão de pontos cegos. O risco é gigantesco, principalmente na velocidade que passam. Outro aspecto é o número de motocicletas em relação aos demais veículos circulando. Enquanto na Califórnia são raras as motos, aqui elas já superam a frota de automóveis em vários estados. Sem falar no tipo de moto utilizada, preparo dos motociclistas e responsabilidade civil e criminal em caso de acidente nos EUA em comparação ao Brasil. Outro problema é que as motos param o trânsito, porque acidente com motocicleta quase sempre tem vítima e com frequência precisa de atendimento médico especializado, ambulância, etc…
    Moto no Brasil não é meio de transporte mas uma epidemia que está ceifando vidas e deixando centenas de milhares de pessoas inválidas. Proibir o tráfego pelo corredor é apenas uma das medidas urgentes para reduzir acidentes com motocicletas. A questão de precisa de agilidade porque quanto mais demorarmos mais difícil será combater.
     Esse estudo de Berkley, da forma como está sendo usado no Brasil, é mais uma iniciativa sorrateira da indústria para tentar justificar o injustificável. Enquanto eles juntam dinheiro, a sociedade junta os corpos.
Rodolfo Alberto Rizzotto

Formado em Direito e Economia, coordena o programa de segurança nas estradas SOS Estradas e edita o site www.estradas.com.br, onde é possível acompanhar os temas de seus artigos também em arquivos de áudio, disponíveis para download.