sexta-feira, 17 de abril de 2015

A MOTOCICLETA É UM MEIO DE TRANSPORTE QUE DEIXA MUITA GENTE SEM CONDIÇÕES DE ANDAR


     Há dez anos fizemos um alerta de que os acidentes com motocicletas, por suas sérias consequências, seriam o problema mais grave de segurança no trânsito brasileiro em poucos anos. Essa previsão já se confirmou há pelos menos cinco anos e os números são cada vez mais dramáticos, mas continuamos sem nenhuma política que ao menos reduza o número de vítimas.
     Quando o Código de Trânsito Brasileiro estava para ser promulgado, em 1997, retiraram a proibição de circulação das motocicletas pelo chamado corredor, espaço que fica entre os veículos, que acabou se tornando o corredor da morte. Com isso abrimos a brecha para os fabricantes de motocicletas enfatizarem as vantagens das motos no trânsito caótico dos grandes centros. Pelo preço das motocicletas de baixa cilindrada, ficou fácil massificar seu uso e depois invadir o interior do Brasil, tão carente de transporte. Hoje os veículos de duas rodas são usados até na roça e transportam, muitas vezes, famílias e não apenas indivíduos.
     Não adianta mais soluções paliativas, é preciso radicalizar para tentar literalmente estancar o sangue dos acidentes com motocicletas. Na nossa avaliação, é fundamental mudar a legislação do trânsito para que não tenhamos mais circulação de motocicletas no chamado corredor. Lógico que isso vai gerar uma grande revolta dos proprietários desses veículos, mas para salvar vidas, às vezes precisamos radicalizar.
     As fiscalizações quanto ao uso de capacete, condições da motocicleta, documentação, habilitação, pagamento do IPVA, DPVAT, tudo isso tem que ser controlado com um rigor literalmente radical. Da mesma forma, não pode haver nenhum incentivo a fabricação de motocicletas, principalmente de baixa cilindrada. Não é possível que tenhamos incentivo fiscal para a produção e venda de veículos que provocam tantas mortes e principalmente deixam todos os anos centenas de milhares de inválidos.
Rodolfo Alberto Rizzotto
Formado em Direito e Economia, coordena o programa de segurança nas estradas SOS Estradas e edita o site www.estradas.com.br, onde é possível acompanhar os temas de seus artigos também em arquivos de áudio, disponíveis para download.