quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

PESQUISA MOSTRA CONSERVADORISMO DO RS

imagem ilustrativa


            Apesar do debate cada vez mais intenso sobre a descriminalização do uso de drogas e a necessidade de reduzir o arsenal existente no Brasil, a maioria dos gaúchos está na contramão dessas posições liberais. Pesquisa feita em 6 e 7 de fevereiro pelo Instituto Index, em 30 municípios do RS, revela um perfil bastante conservador dos moradores do Estado, no assunto segurança pública. A maioria dos 1,2 mil entrevistados é favorável à pena de morte, ao porte de arma (para quem o desejar), à redução da maioridade penal e contra a liberação da maconha. No caso da maioridade penal, grande parte dos entrevistados pede rigor extremo. 

        Nada menos que 40,5% quer que sejam passíveis de ir para prisão até os menores de 16 anos. A maioria (50,8%), porém, se contenta em que a idade das penalizações seja reduzida para os 16 anos. Apenas 8,8% dos pesquisados se mostraram favoráveis à maioridade penal que está em vigor, de 18 anos. A pesquisa, primeira do gênero feita pelo Index, mostra que a visão punitiva predomina entre os gaúchos. Veja os percentuais em alguns temas polêmicos:

-84,8% aprova a Balada Segura.

-54,1% é a favor de prisão para quem ingerir bebida alcoólica (qualquer quantidade) e dirigir.

-53,8% acham que as drogas são o fator que mais influencia no cometimento de crimes.

-58,3% é a favor do porte de armas, para quem o desejar.

-55,1% são a favor da pena de morte.

-52,3% são contra a liberação da maconha.


          O cientista social Caco Arais, coordenador da pesquisa da Index (que há 23 anos faz pesquisas, sobretudo direcionadas a diagnóstico de gestão em municípios gaúchos), não encara com surpresa os resultados da enquete. Ele considera os posicionamentos dos entrevistados naturais, num Estado em que parlamentares conservadores foram os mais votados nas últimas eleições. Arais diz que esperava resultados até mais cautelosos e se surpreendeu com a relativa liberalidade dos gaúchos em alguns temas. É o caso da liberação da maconha: 40% dos entrevistados se manifestaram a favor e 52,3% contrários. “Isso é alto, em se tratando de um produto cujo consumo é proibido há décadas e décadas”, pondera o cientista social. 

           O uso de armas, também: 66,8% dos entrevistados disseram que jamais usariam uma, mesmo quando favoráveis ao porte. O professor colombiano Juan Fandino Mariño, pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tampouco se espanta com os resultados da pesquisa, embora ressalte que é preciso realizar vários estudos para ver a evolução das opiniões. 

Fonte: Jornal Zero-Hora, ed. 19/02.
Edição: Com. Soc. 5º R P Mon