sexta-feira, 29 de agosto de 2014

INCÊNDIO DE 10 VIATURAS DA BM - INQUÉRITO É ENCERRADO SEM APONTAR CULPADOS

 (Página 19) 

       A Brigada Militar concluiu inquérito que investigava o incêndio de 10 viaturas da corporação no início deste ano, em Porto Alegre. Passados seis meses de apuração, foram identificados indícios de crime, mas ninguém foi responsabilizado. O atentado ocorreu no dia 24 de fevereiro, no pátio da Academia de Polícia Militar. O fogo atingiu 10 picapes Nissan Frontier, zero-quilômetro, que seriam designadas para patrulhamento na fronteira com Uruguai e Argentina. 

            Dos veículos que foram queimados, seis tiveram perda total, e o restante sofreu danos. A Corregedoria entregou ontem o inquérito ao comando da Brigada Militar, informando que o fogo teria sido causado por fatores externos, o que elimina a possibilidade de que as chamas tenham sido provocadas por pane elétrica, por exemplo. O documento, contudo, não traz identificação de possíveis culpados. A hipótese de incêndio acidental já havia sido afastada em maio. Após analisarem o local em que as viaturas estavam estacionadas, peritos concluíram que o fogo não foi causado por um artefato lançado da rua (coquetel molotov, por exemplo). Ele irrompeu dentro do veículo – ou foi ateado. 

         Provavelmente, começou na parte dos bancos, no estofamento, e dali se propagou. Havia a probabilidade de que alguém tivesse aberto a porta de uma picape e colocado fogo, já que os vidros do veículo estavam abertos. Essas conclusões reforçavam os indícios de que o incendiário seria alguém com acesso interno à academia – da própria BM ou de fora. O local é vulnerável por se tratar de terreno cheio de árvores, com muros não muito altos, o que pode facilitar invasões, embora os investigadores considerassem improvável essa hipótese. Em maio, a cúpula da BM dava como certo algum indiciamento, mesmo sem identificação de autoria, nem que fosse por negligência. Ontem, o comando-geral da corporação não quis se manifestar. A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública informou que o órgão também não se pronunciará sobre o caso. 

Jornal Zero-Hora, ed. 28/08